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Pedagogia



 
 

EDUCAÇÃO PREMIADA!

EDUCAÇÃO DE VERDADE PREMIADA

 

 

Bebedouro conta com uma escola pública - municipal - que tem procurado se guiar em sua administração e sua didática pelos princípios da Escola Moderna - mais conhecida como "Pedagogia Freinet".

Este Blog já mostrou algumas iniciativas interessantes levadas a cabo por aquela escola e agora tem a alegria de anunciar mais uma premiação recebida por um de seus alunos, referente ao concurso mediado pelo Departamento de Saúde, para o dia mundial de combate às Doenças Sexualmente Transmissíveis - DST/AIDS.

Trata-se de um concurso nacional para escolha de um folder e um panfleto explicativos sobre as formas de contágio e prevenção dessas doenças.

O aluno da Escola "Lellis", da 5ª Série, foi o vencedor na modalidade folder.

A Diretora da escola, Profa. Carminha, explica: " - Começamos o trabalho há 4 meses, junto com os professores de Língua Portuguesa e Arte e teminamos na oficina de Informática para os acabamentos."

Esse folder será o oficial que circulará em rede nacional de saúde. (veja o folder abaixo)

A Escola "Lellis", de Bebedouro, trabalha em período integral, com duas modalidades de educação: a formal - ou "regular" - e a não-formal, cada qual em um período do dia. As crianças que estudam na escola regular pela manhã prosseguem os estudos na não-formal no período da tarde e vice-versa.

A Profa. Carminha explica um pouquinho a interação que essas duas modalidades de educação possibilita ao alunado e à comunidade do entorno: " - Estamos conseguindo, a passos curtos ainda, desfragmentar a concepção de escola regular e escola-não formal, construindo uma escola que vai se tornando realmente uma única unidade. Os professores e comunidade puderam sentir essa união no memorial (outro projeto realizado pela escola) e agora com este folder." Ela, com todo merecimento, festeja: 

" - Que bom que estamos conseguindo transformar uma noção ou percepção, ou ideias mesmo, quanto ao significado de uma escola pública de período integral."

 



Escrito por Flávio Boleiz às 17h14
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O FOLDER CAMPEÃO



Escrito por Flávio Boleiz às 17h14
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FOLDER - PARTE INTERNA



Escrito por Flávio Boleiz às 17h13
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RECEBENDO O PRÊMIO!!!




Escrito por Flávio Boleiz às 17h12
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Movimento Freinet

 

O MOVIMENTO FREINET: UMA REDE AUTOGERIDA?

Anne-Marie Mílon Oliveira

 

 

 

Pela sua prática comprometida de educador popular Célestin Freinet foi o iniciador de um vasto movimento pedagógico que, até hoje, congrega milhares de docentes pelo mundo afora. O início deste movimento não foi propriamente premeditado e muito menos planejado: no seu livro Nascimento de uma pedagogia popular (1978), Elise Freinet nos conta como as técnicas elaboradas por seu marido para turma multiseriada onde lecionava, numa modesta escola do interior, começaram a ser divulgadas por ocasião de um congresso de educadores. Um colega oriundo da Bretanha, cuja escola se encontrava a várias centenas de quilômetros, se interessou pelas suas descobertas e resolveu experimentá-las. Aos poucos, relações se instauraram, correspondências foram trocadas, experimentos intercambiados entre um número cada vez maior de docentes primários. Denominado, de início, "Cooperativa do Ensino Laico" (CEL), o novo movimento se expandiu, se complexificou. Rapidamente apareceu a necessidade de uma organização que permitisse, ao mesmo tempo, a fluidez da comunicação e a coesão dos seus membros.

 

Esta organização fugia ao modelo tradicional das instituições heterogestionadas, que preveem, via de regra, uma estruturação de tipo piramidal, tendo em seu topo uma cúpula. Mesmo se eleita democraticamente, referendada regularmente por assembleias gerais e apoiada por órgãos intermediários, esta cúpula se vê encarregada de tomar decisões, definir rumos, formular diretrizes, assegurar, enfim, a direção da organização.

 

O Instituto Cooperativo da Escola Moderna (nome atual do movimento Freinet) quer fugir a este modelo e busca realizar aquilo que Alain Guillerm e Yvon Bourdet (1976:193) denominam "uma coordenação entre iguais, numa implantação cujos meios e caminhos sejam transparentes para todos". Em outras palavras, se esforça por praticar a autogestão.

 

Quais são sua fontes inspiradoras? Acredito que principalmente duas: o pensamento anarquista (ou libertário) e o materialismo dialético.

Do primeiro absorveu uma profunda rejeição a toda forma de governo autoritário, a ideias de "vanguarda", de "elite esclarecida",-à separação entre trabalho manual e intelectual, entre gestão e realização. No movimento Freinet todos são chamados a participar, tanto da administração das instituições internas (veremos mais adiante do que se trata) como da criação e experimentação de novas técnicas pedagógicas ou da formulação de novas linhas teóricas.

 

Do segundo retirou aquilo que Freinet denominava de "materialismo escolar". O que ele queria afirmar com isso, é sua oposição às pedagogias idealistas que costumam anunciar grandes princípios filosóficos para depois constatar que... Infelizmente, sua aplicação é impossível e que “na prática a teoria é outra”. A pedagogia Freinet afirma, ao contrário, que o ponto de partida é a prática e que os meios materiais são os primeiros determinantes de toda proposta pedagógica. Coerentemente com isso, ele salienta a importância do que chama "as técnicas e ferramentas de trabalho" do professor. Sem a presença concreta destas, toda proposta pedagógica, por mais sincera e comprometida que seja, se toma inócua.

O movimento Freinet se baseia nos mesmos princípios. Para que a autogestão se tomasse efetiva foi necessária a criação de "técnicas e ferramentas" de gestão compartilhada, de experimentação de procedimentos pedagógicos, de comunicação interna entre os membros.

 

A primeira "instituição interna" do movimento é, sem dúvida, a correspondência. Ela é feita por meio de cartas (hoje em dia, também via fax e Internet), de boletins e de um instrumento chamado "cadernos circulantes" :quando um membro do movimento quer lançar um questionamento, expor uma nova técnica, discutir uma situação de sala de aula, contestar decisões, ele pega um simples caderno escolar e escreve o que tem a dizer. A seguir, envia este caderno para outro colega, que expõe sua opinião e o manda a outro. Após um certo tempo, o caderno volta ao seu iniciador, que faz uma síntese e a torna pública em um dos periódicos do movimento.

A segunda "instituição interna" são esses periódicos e os numerosos boletins locais. Cada região tem, também, grupos - e esta é a terceira principal "instituição interna" - que se especializam numa determinada questão escolhida livremente pelos interessados (o ensino da matemática, a vida cooperativa da classe, a alfabetização ou, como gostam de dizer os "freinetianos": a gênese da escrita na turma, etc.).

o movimento se concretiza através de centenas de grupos. Toma-se ainda mais visível nos momentos de reunião: congressos nacionais e internacionais, assembleias... Mas tudo se faz dentro de uma fluidez e transparência que tem por objetivo evitar a formação de grupos de poder, a cristalização das instituições. A comunicação segue caminhos predominantemente horizontais e obedece a uma malha nunca formalizada de forma rígida. Nesta malha, nesta rede auto- gerida, a circulação da informação (o saber) se esforça por acompanhar e reforçar a circulação do poder. A multiplicidade e, às vezes, o caráter efêmero dessas instituições garantem o caráter flexível do movimento e reflete suas pulsações.

 

Um outro ponto importante é que a adesão à pedagogia Freinet é sempre uma opção pessoal e voluntária dos docentes que pertencem ao movimento. Seria impensável um diretor de escola, um secretário de educação decidirem que os docentes que lhe são subordinados adotem esta pedagogia. Cada um inicia quando quer, da forma que quer, no seu ritmo, apoiado pelos colegas mas nunca pressionado para agir desta ou daquela forma.

 

Uma organização deste tipo não tenderia a ficar dispersa e sem controle? De anarquista não riscaria de se tornar anárquica? Esta era uma das maiores preocupações de Freinet, para quem organização e disciplina, livremente construídas, eram pré-requisitos imprescindíveis para o funcionamento da classe e para a existência de qualquer grupo.

 

Mas acredito, sobretudo, que o que impede esta desintegração é, de forma mais ou menos explícita segundo as épocas, dentro da diversidade de cada lugar, de cada grupo, de cada momento, a existência de um grande projeto comum. Nisto, esta rede continua, antes de tudo, sendo um movimento pedagógico e político; nisto os membros do ICEM são os fieis herdeiros do seu fundador e seu projeto continua sendo o de contribuir para a desalienação da escola pública e para sua transformação num instrumento de construção de um cidadão livre,crítico e criativo.

 

 

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Bibliografia

FREINET, Célestin. O Método natural. Lisboa: Estampa, 1977,3 vol.

FREINET, Célestin. Pedagogia do bom senso. São Paulo: Martins Fontes, 1985.

FREINET, Elise, Nascimento Cle uma peClagogia popular. Lisboa, Editorial Estampa, 1978 FREINET, Elise. O Itinerário de Célestin Freinet. Rio de Janeiro: Francisco Alves, 1979.

GUILLERM, A. e Bourdet, Y. Autogestão, uma muClança raClical.Rio de Janeiro, Zahar, 1976. OLIVEIRA, Anne-Marie Milon. Céiestin Freinet: raizes sociais e políticas de uma proposta pedagógica. Rio

de Janeiro: Papéis e Cópias da Escola de Professores, 1996.

SAMPAIO, Rosa Maria Whitaker F. Freinet: evolução histórica e atualidades. São Paulo: Scipione, 1989. SANTOS, Maria Lúcia dos. A Expressão livre no aprendizado da língua portuguesa.

São Paulo: Scipione, 1991.



Escrito por Flávio Boleiz às 11h35
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ENCONTRO DE EDUCADORES DA ZONA SUL

 

C L I Q U E   A Q U I   :

http://www.novidadedevida.com.br/2009/10/iii-encontro-de-educadores-da-zona-sul/

 



Escrito por Flávio Boleiz às 09h04
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